Além da cascata, através do Jardim das Endêmicas, Parque do Caracol guarda duas espécies únicas de bromélias no mundo

As bromélias Dyckia irmgardiae e Dyckia nigrospinulata, conhecidas apenas na escarpa do Parque do Caracol, em Canela, integram ações de conservação. As espécies estão ameaçadas de extinção e vivem no paredão da cascata de 131 metros.

Segundo material creditado a Pedro Alencastro, da Odb Comunicação, o trabalho reúne proteção no ambiente natural, monitoramento e educação ambiental. A iniciativa também conta com o Jardim Rupestre, junto ao Mirante da Cascata.

Especialistas, o Jardim Botânico de Porto Alegre e a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) participam de ações relacionadas à preservação. Em novembro de 2024, uma atividade na área localizou uma população de D. irmgardiae.

bromélias do Parque do Caracol

O projeto considera as condições da escarpa, onde as plantas enfrentam sol intenso, água disponível de forma sazonal e solo raso sobre rochas. A reportagem também aborda a estrutura do Parque do Caracol e iniciativas de conservação fora de Canela.

Jardim Rupestre reúne bromélias e apoia ações de conservação

Com aproximadamente 60 metros quadrados, o Jardim Rupestre foi concluído em abril de 2026 junto ao Mirante da Cascata. O espaço permite observar exemplares das bromélias do Parque do Caracol sem depender da visualização das plantas na escarpa.

O jardim reúne três exemplares das espécies contempladas pelo projeto de conservação. Conforme a definição apresentada pela gerente-geral Sandra Ferraz, plantas endêmicas ocorrem naturalmente em uma área geográfica restrita e não são encontradas em condições naturais fora dela.

Ferraz afirma que a paisagem de grandes dimensões do Parque do Caracol também abriga biodiversidade que exige atenção a pequenas áreas: em poucos centímetros de rocha pode estar uma parte singular da história natural de Canela. A observação ajuda a contextualizar a presença das bromélias no Jardim Rupestre.

Como próxima etapa de acompanhamento, estava previsto um levantamento na escarpa da Cascata do Caracol para apurar a quantidade de exemplares de Dyckia irmgardiae e Dyckia nigrospinulata. O monitoramento feito por biólogos e especialistas orienta a avaliação das plantas e as decisões de proteção, segundo Ferraz.

Jardim Botânico de Porto Alegre participa da preservação da Dyckia irmgardiae

Em novembro de 2024, uma ação com participação do Jardim Botânico de Porto Alegre e da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) incluiu a coleta manual de exemplares e sementes de D. irmgardiae. O material foi encaminhado para conservação no Jardim Botânico, em Porto Alegre.

Descrita cientificamente em 1966, D. irmgardiae é classificada como “Criticamente em Perigo no Rio Grande do Sul”. A ocorrência conhecida está concentrada em uma única população, o que restringe a distribuição registrada da espécie.

Entre as condições que podem prejudicá-la estão o avanço da vegetação arbórea, o sombreamento e o acúmulo de matéria orgânica. A presença de espécies exóticas também pode comprometer o ambiente de que a bromélia depende.

Das sementes coletadas foram obtidas 12 mudas saudáveis, com variabilidade genética. Os exemplares adultos passaram a integrar a coleção científica de Bromeliaceae do Jardim Botânico; o crescimento é lento, pois as plantas levaram cerca de 18 meses para atingir aproximadamente três centímetros. A previsão informada era de mais um a dois anos de cultivo protegido antes de um eventual porte adequado para reintrodução.

Revitalização e certificação ambiental marcam fase recente do parque

Inaugurado em 1973, o Parque do Caracol passou a ser administrado pelo Grupo Iter após a concessão pública de dezembro de 2022. Desde então, segundo as informações institucionais divulgadas sobre o atrativo, o local vem recebendo investimentos em infraestrutura, experiências e serviços.

O Parque é apresentado como a primeira empresa brasileira certificada como Empresa B nas cidades de Canela e Gramado. A certificação está associada a padrões de desempenho social e ambiental, conforme a divulgação do empreendimento.

A holding também administra o Parque Estadual Tainhas, no Rio Grande do Sul. No Rio de Janeiro, está à frente do Parque Bondinho Pão de Açúcar e da operadora de turismo receptivo C2Rio Tours & Travel.





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